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DICAS TÉCNICAS
Estresse em suínos causa prejuízos a produtores
 
 

Perda de qualidade da carne e morte do animal são alguns dos efeitos

O estresse não provoca estragos apenas à saúde do ser humano. Os suínos também sofrem enormes danos e, conseqüentemente, fazem o produtor rural ter perdas.

A movimentação inadequada e o desconforto são alguns dos fatores causadores dessa reação fisiológica no animal, que pode ser medida, por exemplo, através de sua freqüência cardíaca.

Sob tal condição, a produtividade pode ser afetada, explica Osmar Antonio Dalla Costa, zootecnista da Embrapa Suínos e Aves, localizada em Santa Catarina. “Uma matriz terá menor número de leitões nascidos vivos”, relata Costa.

Além disso, a taxa de conversão alimentar será bastante afetada. “O animal terá de comer mais para obter o mesmo peso. Com isso, os gastos serão maiores.” Mais um malefício: o suíno muito estressado tem deficiência imunológica e começa a ter doenças, favorecidas pela baixa resistência. O infarto do animal é outra possibilidade. Isso acontece quando ele corre muito para fugir de maus tratos e fica extremamente cansado.

O suíno estressado queima mais glicogênio (forma pela qual o carboidrato é armazenado nos tecidos) e tem descarga maior de hormônio. O ph (indicador de alcalinidade ou acidez) da carne sofre queda muito rápida. Assim, a perda de qualidade do produto será inevitável. “Não será possível fazer um presunto parma, por exemplo. O valor agregado da mercadoria será muito menor”, adverte Costa.

Segundo o zootecnista, em geral, as grandes empresas e produtores adotam os procedimentos corretos. A maior parte dos problemas é encontrada entre os pequenos e médios suinocultores, e decorre, sobretudo, da falta de auxílio técnico. Ele indica a realização de cursos, treinamentos e palestras para orientá-los. “É preciso esclarecer o produtor rural que o frigorífico vai descontar do valor a ser pago a carne que estiver machucada ou com hematomas na carcaça”, frisa.

Costa defende adoção de abate humanitário

Para Dalla Costa, além da melhoria no trato dos suínos, é necessária a implantação do abate humanizado, conjunto de procedimentos técnicos e científicos que garantem o bem-estar dos animais desde o embarque na propriedade até a operação de sangria no matadouro. “Nós tiramos a vida do animal e falamos ‘humanitário’? Sei que parece contraditório, mas é preciso fazer com que sofram menos.”

Alguns motivos

* Densidade populacional

O estresse pode ser causado quando a metragem das instalações é muito baixa. Espaços inferiores ao recomendado (próximo do abate, entre 1 m e 1,10 m) devem ser evitados

* Correria

A prática de agressões pode levar o animal a correr muito. Com isso, há o risco de infarto ou dele quebrar uma perna, por exemplo. Como, em geral, existem muitos animais, há possibilidade de um suíno machucar o outro com pisoteamentos

* Clima instável

Variações climáticas muito grandes, como por exemplo um dia muito quente seguido de um muito frio, estressam o animal

* Agressões

É comum o funcionário chutar, bater ou gritar com o suíno quando as instalações precisam ser limpas e o animal permanece deitado

* Choques

Para fazer o suíno se locomover, não se deve usar bastões metálicos que transmitem choques elétricos

Fonte: Bom Dia Bauru – Por Osmar Antonio Dalla Costa
Publicado por suino.com

 

 
 
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