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DICAS TÉCNICAS
AVALIAÇÃO QUANTITATIVA E QUALITATIVA DO SÊMEN DE SUÍNOS
 
Crescente evolução da inseminação artificial.
 
INTRODUÇÃO

Na suinocultura moderna com a crescente evolução da inseminação artificial, intensifica-se o interesse no preparo adequado de reprodutores. Nos programas de colheita de sêmen, geralmente são empregados esquemas de alimentação ainda tradicionais, que na pratica não levam em consideração as exigências nutricionais específicas do macho no processo reprodutivo, podendo comprometer a libido, o aprumo, a qualidade da produção espermática, além do tempo de desfrute do mesmo. A vitamina A tem atuação variada no complexo reprodutivo do macho como: (a) protetora do epitélio testicular pela ação na gametogênese, (b) na estimulação da libido e vigor sexual, conjuntamente com as vitaminas C e do complexo B, (c) favorecendo a motilidade, volume e porcentagem de espermatozóides vivos no ejaculado. Em programas de colheita de sêmen para inseminação artificial é preconizada a ingestão de 40.000 UI de vitamina A/dia/animal, para um total de 2,5 a 3,0 kg de ração/dia.

Normalmente o premix e os núcleos comercializados no mercado nacional, utilizados para esta finalidade, disponibilizam de 18.000 a 23.000 UI de vitamina A para a mesma quantidade de ração por dia. Tem sido constatado, diante desse fato, diversas modificações no sêmen, principalmente às relacionadas a baixa concentração e alta incidência de alterações morfológicas, o que vem despertar o interesse para averiguações mais aprofundadas, a fim de melhorar a qualidade do sêmen, diminuindo os prejuízos causados ao criador. Estudos reportando os efeitos da suplementação de vitamina A, em ratos, mostraram resultados positivos relacionados à espermatogênese, melhorando a formação da célula espermática. O objetivo do estudo foi de avaliar o efeito da suplementação da vitamina A em machos reprodutores através dos parâmetros: volume, motilidade, concentração e alteração morfológica.

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Pesquisa em Suínos da FMVZ-USP, Campus Pirassununga-SP, durante o período de junho a outubro de 2004. Foram utilizados 10 cachaços híbridos, pesando 270 kg , na mesma faixa etária (365 dias de idade), sendo meio-irmãos completos. O manejo dos reprodutores anterior ao período experimental, correspondeu a fase de treinamento (3 meses) e posterior nivelamento biológico (2 meses). Os animais foram alojados em baias providas de comedouros individuais e bebedouros do tipo chupeta e metragem de 9m2/animal, sendo o delineamento experimental inteiramente casualizado, com medidas repetidas no tempo. Os reprodutores foram submetidos a dois tratamentos (5 animais cada): tratamento controle (T1) com níveis basais de vitamina A, seguindo as recomendações do NRC e tratamento com a complementação de 16.000 UI de vitamina A/kg (T2), de modo a adequar o oferecimento de 2,5 kg/dia, o que totalizou 40.000 UI/dia/animal.

As colheitas de sêmen foram estabelecidas para o período da manhã em sala apropriada, com previa higienização do prepúcio, sendo o método de colheita utilizado a técnica da mão enluvada. O sêmen foi encaminhado ao laboratório para avaliação dos parâmetros, volume, motilidade, concentração espermática pela câmera de Neubauer, e morfologia espermática. Durante o período experimental (4 meses), o sêmen dos 10 reprodutores, era obtido com intervalo de 7 dias entre as colheitas, que correspondeu a 18 amostras/animal, perfazendo 90 amostras/tratamento. Para a análise estatística foi utilizado o programa SAS. As variáveis foram submetidas à análise de variância (ANOVA), sendo considerada a probabilidade ajustada pelo método de Greenhouse-Geisser Epsilon. O nível de significância considerado foi de 5%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise descritiva dos dados mostrou que na maioria das semanas, apesar dos animais suplementados com vitamina A produzirem, menos espermatozóides há uma maior quantidade percentual média de células com motilidade e há um menor número médio de alteração morfológica. O estudo descritivo da variabilidade confirma a tendência de maior estabilidade das características motilidade, e principalmente alteração morfológica, havendo maior dispersão dos animais do tratamento controle. Os resultados das análises de variância não mostraram significância para as características volume, concentração e motilidade espermática, em função do tempo. Em relação à característica alteração morfológica, foi observada diferença significativa, confirmando o efeito da suplementação de vitamina A, na estabilização da formação da célula espermática.

Estudos confirmam estes achados, relacionados à função da vitamina A em determinados estágios da formação da célula espermática. Estudos da deficiência de vitamina A em ratos, mostraram que essa vitamina interfere bloqueando o estágio de espermatogônia, restabelecendo a espermatogênese com a suplementação de retinóide. Indica, desse modo, que na alimentação dos reprodutores, há necessidade de serem ajustadas às exigências nutricionais relacionadas, a idade, freqüência de utilização e objetivo da utilização do reprodutor.

CONCLUSÕES

O estudo demonstrou que a suplementação de 40.000UI/kg/dia/animal de vitamina A, influencia positivamente a formação da célula espermática evidenciada através do menor percentual e dispersão de alterações morfológicas em comparação ao controle.

Fonte: ABRAVES -


 
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