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DICAS TÉCNICAS
USO DE GEMA DE OVO COMO COMPONENTE DO DILUIDOR DO SÊMEN SUÍNO
 
Como base nos resultados obtidos neste experimentopode ser dizer que a gema do ovo no meio diluidor do sêmen suíno é importante
 

Sabe-se que o espermatozóide suíno é muito sensível ao choque térmico, com conseqüente queda dos valores de motilidade, particularmente quando o sêmen é resfriado bruscamente, passando de temperaturas iniciais entre 35-37 ºC para valores abaixo de 15 ºC. Com a finalidade de prolongar a vida útil da célula espermática estudos foram feitos no sentido de se adicionar a gema de ovo a diluidores convencionais que favorece a proteção contra choque térmico para espermatozóides de diferentes espécies de animais. 

Este trabalho teve por objetivo testar o diluidor de Betsville TS (BTS) adicionado do ácido 3-indol acético (IAA) e da gema de ovo a 5% visando melhorias nas condições de sobrevivência do espermatozóide suíno. O sêmen de dois reprodutores de raças puras (Landrace e Duroc), foi coletado 1 vez por semana durante 10 semanas (n = 20), através da técnica da mão enluvada. Todos os reprodutores se encontravam em sistema rotineiro de coleta semanal no Laboratório de Reprodução Suína e Tecnologia de Sêmen da FAVET-UECE.

Foi utilizado o ejaculado total após separação da parte gelatinosa. Após a coleta, o ejaculado foi levado ao laboratório para as análises de rotina. Após a coleta, cada ejaculado foi repartido eqüitativamente entre os diferentes tratamentos com uma concentração de 35 x106 espermatozóides/ml. Os tratamentos foram: 01) Diluidor de Betsville (BTS); 2) BTS + ácido 3-indol acético (IAA) à uma concentração final de 10ng/ml; 3) BTS + gema do ovo a 5%.  A diluição de todos os lotes foi feita a 30 ºC, e em seguida divididos em tubos de ensaio concervados em geladeira a 4 ºC durante um período de 7 dias. Foram avaliadas as características de motilidade espermática (%) e vigor espermático (0 a 5).  As análises foram feitas à luz da microscopia óptica, após 5 min. e 2 h de incubação do sêmen á 39 ºC nos dias D0, D1, D4 e D7. 

Os resultados foram expressos pelas médias e desvios-padrão para cada tratamento.  A análise estatística entre médias foi feita por uma variância multifatorial através do programa STATVIEW avaliados pelo teste de Mann & Whitney (P<0,05). Com relação a característica vigor espermático, os melhores resultados foram obtidos no lote C onde a presença de gema de ovo à 5% no meio diluidor, proporcionou valores mais altos até o quarto dia de conservação do sêmen. Em todos os tratamentos houve um decréscimo progressivo dos valores do vigor espermático durante o período de conservação do sêmen, com os valores se igualando apenas no sétimo dia.

Após 2 h de incubação o diluidor em presença da gema de ovo apresentou resultados também significativamente melhores (p<0,05). Apesar de uma diferença de 25% nos valores do vigor espermático no D0 entre os dois tempos de incubação (5 min. e 2 h), com valores de 2,8 e 2,1, respectivamente, a diferença desta queda foi significativamente menor quando comparada com a dos outros diluidores (46%) no mesmo dia, passando de 1,1 para 0,6. Esta tendência foi vista nos outros dias de conservação do sêmen até D4. Uma queda mais suave do vigor espermático foi observada no diluidor em presença da gema de ovo. A motilidade espermática foi também significativamente melhor com o uso da gema de ovo (p<0,05), sendo seu valor superior ao encontrado nos outros diluidores em todos os dias de conservação, a exceção de D7.

Apesar de valores relativamente baixos, a motilidade espermática em presença de gema de ovo, se manteve viável para o uso do sêmen em programas de inseminação artificial (no D0). Quando da adição do IAA ao BTS, não foram evidenciados efeitos estimulatórios sobre o vigor e a motilidade espermática, havendo inclusive valores inferiores aos encontrados com o uso do BTS puro. Possivelmente, a presença de valores relativamente baixos para a motilidade espermática foi devido à ação do resfriamento e conservação das células espermáticas à temperatura abaixo de 15 ºC, causando perdas prematuras e irreversíveis, aumentando a permeabilidade da membrana com saída de moléculas de íons intracelulares.

A susceptibilidade dos espermatozóides de mamíferos ao resfriamento varia de acordo com a espécie. Neste trabalho, observou-se os melhores resultados das características estudadas sempre em presença da gema de ovo no meio diluidor. Apesar dos baixos valores obtidos pelas características estudadas, deve ser considerado que o sêmen foi conservado a temperatura de 4 ºC, bem abaixo da tradicionalmente utilizada para o sêmen suíno. O uso da gema de ovo a 5% conferiu uma maior capacidade de preservação da motilidade e vigor espermático, uma vez que o diluidor adicionado deste componente mostrou um efeito estimulante, promovido, pela maior proteção conferida à célula espermática. Entretanto, esta proteção não está completamente elucidada.

Aparentemente sua ação se localiza na superfície membrana da plasmática, não provocando alterações permanentes na sua composição, mas prevenindo contra transtornos brutos, que influenciavam de forma negativa tanto no vigor quanto na motilidade espermática. Com base nos resultados obtidos neste experimento, pode-se concluir que o uso da gema de ovo no meio diluidor do sêmen suíno é importante, abrindo novas possibilidades para o uso de temperaturas mais baixas na conservação do sêmen desta espécie animal.

Palavras-chave: gema de ovo, conservação, suíno, espermatozóide.
 

Fonte : Anais do II Congresso Latino-Americano de Suinocultura

Silva, G.Q.; Toniolli, R.; Chaves, R. N.; Morais, R. M.; Moreira, F.R.C.; Duarte, A.B.G.
Laboratório de Reprodução Suína e Tecnologia de Sêmen, FAVET/UECE, Av. Paranjana, 1700, CEP: 60.740-000, E-mail: toniolli@roadnet.com.br

 
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